• Fábio Pessoa

O IMPOSSÍVEL ACONTECEU!



Ninguém imaginava, mas aconteceu. Raul Seixas um dia escreveu e cantou a letra “O dia em que a Terra parou”. Até então algo assim só era visto em filmes de ficção. Antes de falar sobre isso convém explicar o que se pode entender como IMPOSSÍVEL. O que seria isso? Para nós e para muitos o impossível é aquilo que não conhecemos.


Que ribeirinho imaginaria que o Rio Doce ficaria estéril para a pesca, agricultura e abastecimento hídrico? Que cidadão imaginaria seu vilarejo inteiramente devastado por uma enxurrada de rejeitos de minério? Que terráqueo imaginaria seu planeta inteiro em quarentena com distanciamento social e até mesmo bloqueios obrigatórios de cidades inteiras?


Por mais que façamos exercícios profundos de futurologia não somos capazes de conceber alguns obstáculos que podem surgir. O que nunca nos foi apresentado ou provado pode se apresentar como IMPOSSÍVEL. Mas todas as situações citadas eram previsíveis e poderiam ter sido comunicadas à população. Sim, é verdade.


No entanto, sabemos também que os efeitos de um determinado acontecimento podem variar conforme infinitos fatores. E estas variações tornam os efeitos impossíveis de serem determinados em sua exatidão. É por isso que não se fala do que ainda não aconteceu. Imagine a tensão de viver esperando os possíveis desastres que podem nos acometer? O caos seria maior!


Por falar em bagunça, qual é a sua responsabilidade sobre o caos que te cerca? Somos críticos vorazes, mas temos um compromisso reduzido com nossos deveres. Durante a crise sanitária, o governo brasileiro aprovou uma ajuda financeira para a população. Um dos requisitos fundamentais para receber o auxílio é ter um documento de CPF válido. Várias pessoas se apresentaram inaptas, pois estavam sem o documento ou em situação irregular.


Não vamos aqui entrar em debate sobre o nível de responsabilidade governamental em relação ao problema. Mas como compreender que um cidadão não se identifique para o seu país? Como ele deseja ser ajudado se não se apresenta dentro do que a lei exige para isso? Estou usando este exemplo, mas podemos encontrar outros vários semelhantes. Formas de apontar que esperamos soluções prontas e ficamos passivos diante da realidade posta.


Quantos elos fracos temos na corrente? Quem de fato está tentando ajudar a situação melhorar? Quem de fato está se responsabilizando sobre seus atos e decisões? Se não desligar o piloto automático será impossível perceber a realidade. O conveniente nem sempre é melhor caminho. Geralmente precisamos suar a camisa junto com o time para conquistar alguma coisa.


Mas que sinais podem os ajudar a identificar que estamos no caminho errado? Temos vários, mas neste momento vamos nos ater a referências no campo da sustentabilidade ambiental. Os professores Chris Laszlo e Nadya Zhexembayeva apontam três grandes forças modificando o planeta hoje: Recursos Declinantes, Transparência Radical e Expectativas Crescentes.


O primeiro nem precisa detalhar muito. Antes da Pandemia vínhamos acelerando nosso consumo. Na mesma direção estávamos aumentando a pressão sobre os recursos naturais. Na outra ponta seguiam aumentando a geração de resíduos e o desperdício. Ainda que seja um questionamento clichê, como manter um planeta funcionando em equilíbrio agindo de forma desequilibrada?


A Transparência Radical é caracterizada pela junção de conectividade, tecnologia e acessibilidade. Muitas pessoas têm acesso a aparelhos eletrônicos de última geração, conectados mundialmente pela internet e aplicativos. Isto permite que se produza e transmita um grande volume de dados em tempo real. Diante desta exposição, pessoas e empresas não estão imunes à espionagem. Para não sucumbir o caminho é a correção, a ética.


A Expectativa Crescente vem em paralelo, impulsionada pelo mundo VUCA (Sigla inglesa que expõe quatro características mundiais atuais: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade). A “pós-verdade” é outro termo que pode nos ajudar a compreender o caos sociocultural. O questionamento exacerbado e a possibilidade de construção de várias verdades, elimina referências e cria um exército de famintos por atenção.


É ou não um campo fértil para o triunfo do impossível? Qual estrategista está imune a todas estas interferências apontadas? Quem será capaz de identificar e se proteger de efeitos tsunamis com a Pandemia que ainda nos assola? A gestão de crises mais básica aponta sempre dois caminhos: a reação e a prevenção. O primeiro apenas reduz os impactos e o segundo tende a evitar cenários piores.


Prestando atenção nos sinais temos como juntar ferramentas e desenhar alguns planos. O professor e cientista Silvio Meira e o empresário Divesh Macan (Iconiq) têm redigido diversos textos e exposto muita informação relevante. Segundo eles, o digital e o virtual estarão cada vez mais presentes em nossa vida. O comércio tende a encolher e o mundo voltará a compreender as permutas. Outras epidemias podem surgir.


Teremos tempo para a prevenção? Não espere para agir. Comece agora com o que você tem. Se a tecnologia não lhe interessa, comece a mudar de ideia. Procure ser empático com a sociedade, procurando soluções para melhorar a vida das pessoas. Tenha sempre mais de uma alternativa e não somente o plano A. Procure também rascunhar os planos B, C e D.


O impossível está por aí, mas de repente ele pode resolver aparecer. Ao invés de se esconder ou de se apavorar, é melhor aprender a conviver com esta realidade. E antes de terminar não custa perguntar de novo: o quanto você é responsável pelo caos que te cerca? Bora mudar de atitude?

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