CRENÇAS, DISCURSOS E PRÁTICAS

October 31, 2019

 

As recentes transformações da sociedade brasileira estão dificultando qualquer diálogo. Escrever um texto para analisar o histórico da pasta ambiental do governo federal torna-se, então, um campo minado. Não escrever é perder a oportunidade de explicar e sensibilizar sobre um assunto pouco compreendido entre nós. Desta forma, apresentarei a seguir referências para uma reflexão limpa sobre o tema.

 

O artigo 225 da constituição federal afirma que todo cidadão tem direito a um ambiente ecologicamente equilibrado. Do ponto de vista legal o Brasil possui um referencial dos mais completos do mundo dentro deste assunto. O que significa que no papel estamos indo bem. Como sabemos, as regras são a base para qualquer relação poder funcionar. O problema então surge quando saímos da teoria e vamos para a prática.

 

Sem entendimento claro sobre como deve ser a relação entre homem e meio temos os crimes ambientais. Sem a fiscalização adequada não temos punição para os crimes cometidos. Sem a devida punição não temos a oportunidade de mudar para melhor. A consequência não poderia ser outra: desequilíbrio. Estamos retirando mais da natureza do que devíamos. Justificamos os atos sempre como necessários para nossa sobrevivência. Será mesmo verdade? O que diz a sua consciência sobre a forma como você “usa” o mundo em que vive?

 

Existem muitas incoerências entre discursos, práticas e crenças. Para comprovar vou recorrer ao pilar que rege o governo federal recém eleito: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. O chavão evoca fé e religiosidade como base para uma caminhada de transformação que milhões de pessoas almejam. Baseado nele, o governo deveria ter um cuidado primoroso com a pasta ambiental e tudo que se refere à vida. Isso está mesmo ocorrendo?

 

Interpretações, interesses, ignorância. O homem está sempre encontrando justificativas para enfraquecer ou fortalecer posições e discursos. É assim que se “dobra” a lei para continuar acobertando os erros. Já que o preceito constitucional, a “lei dos homens”, citado lá no começo do texto parece não ser respeitado, que tal recorrer então a versículos bíblicos para verificar se estamos no caminho certo?

 

Em Colossenses 1:16,17 temos os motivos da criação do mundo e das criaturas. A passagem diz: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades.”; “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Dá para entender claramente que o planeta é a grandeza maior onde pertence o ser humano e todos os seres vivos que dela dependem.

 

Bastaria o trecho “e todas as coisas subsistem por ele” para compreender que o bicho homem é submisso, ele pertence ao planeta e não o contrário. Fica claro que nós só existimos e continuaremos aqui se o planeta puder nos fornecer o sustento básico e necessário. Em Salmos 24:1 encontramos “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Em Gênesis 2:15 está escrito “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.”.

 

Por estas referências fica mais do que claro que a Terra não nos pertence, mas nós a ela. É o mundo que subsiste ao tempo e os seres vivos são seus passageiros. Pela lei de Deus é nosso dever guarda-la e evitar o seu fim. A lei do homem ratifica e afirma que o sadio meio ambiente é um direito de todos. Toda vez então que se atenta contra estas verdades postas e imutáveis, atentamos contra nós mesmos.

 

Toda vez que houver um retrocesso sequer nas políticas ambientais locais, regionais ou estaduais, estamos descumprindo um trato de cuidar da vida. Não importa a sua fé, a sua bandeira partidária ou filosofia. Não é preciso ciência para entender a finitude e os ciclos de vida. Basta olhar, prestar atenção e ver os sinais. Queimadas não são nada perto de tudo o que estamos fazendo em nome do egoísmo. Referências existem, mas todos as estamos ignorando, justificando.

 

Nenhum governo foi suficientemente bom para o meio ambiente, mas o atual não parece nem mesmo conhecer os versículos acima citados ou praticá-los. A causa ambiental não é assunto do futuro é investimento urgente. Não é o outro quem deve salvar o planeta sozinho, você também tem que agir. Cuide da sua casa e ela cuidará de você!

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