Carnaval BH 2020: Folia Responsável?

May 28, 2020

 

A Sua Árvore Consultoria Ambiental acompanha os números do carnaval de BH desde 2014. Contando com este, são três anos de análise do evento sob a ótica da sustentabilidade, divulgados em formato de texto. Geralmente publicamos um artigo trinta dias após a realização do evento, quando de posse dos dados consolidados. Devido à pandemia de Covid-19, escrevo tardiamente este costumeiro apanhado na intenção de manter o nosso compromisso com os Eventos Responsáveis.

 

Dentro do que era previsto pela prefeitura, o número de foliões cresceu 4% em relação ao ano anterior. O investimento direto no evento cresceu 33% em relação ao ano de 2019. BH recebeu 211 mil turistas e registrou 56% na taxa de ocupação hoteleira durante o feriado de carnaval. Chama atenção a redução do número de crimes (56% a menos nos casos de furtos e 57% em lesões corporais). Tudo isso em meio a uma redução de 22% no número de blocos em comparação ao ano anterior.

 

Para nós, sem dúvida o destaque maior está na redução da geração de resíduos durante o período de folia. No ano de 2019 foram coletadas 2784 toneladas de resíduos contra apenas 848 toneladas em 2020! Uma redução de quase 70% em apenas um ano! Antes de comentar estes números precisamos ainda ressaltar outros pontos.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, a UFMG realizou ações do projeto P-4-Tree. Durante o carnaval 2020 instalou o dispositivo em 50 banheiros químicos para coleta do fósforo presente na urina. Por meio de ação inovadora o componente é transformado em adubo que posteriormente é utilizado em jardins e parques da cidade.

 

A prefeitura aumentou ainda o número de garis, o número de catadores de recicláveis e a quantidade de contêineres. Sacos de lixo foram distribuídos aos ambulantes para auxiliar na coleta de seus resíduos e de terceiros. Foram coletadas cerca de 50 toneladas de resíduos recicláveis, cerca de 5% em relação ao montante total de resíduos de todo o evento.

 

Com números tão positivos, como questionar os resultados conquistados? Seria um marco inovador em eventos do gênero? Não queremos aqui levantar especulações impertinentes ou críticas gratuitas. Mas temos por obrigação inspirar reflexões para tempos futuros e evitar falsas expectativas. Para tal algumas perguntas são extremamente relevantes. Acompanhem o raciocínio a seguir.

 

Se o público do evento cresceu em número, mas a quantidade de blocos e de cortejos diminuiu, como a geração de resíduos caiu quase 70%? Neste caso, podemos dizer que ocorreu maior concentração de pessoas do que no ano anterior. Então foi o folião que mudou de postura? Como isso aconteceu, já que a grande maioria das pessoas só se envolve com o evento enquanto ele ocorre?

 

Quais ferramentas foram utilizadas para esta transformação tão rápida? Quem as aplicou e em quais momentos do carnaval isso se deu? Não teria sido relevante publicar as medidas nos veículos oficiais da prefeitura? Grandes transformações se tornam gatilhos de mídia relevantes. Por que isso não foi documentado e evidenciado em demasia?

 

Estou fazendo o papel de “advogado do diabo” porque acompanho de perto o evento e seus resultados. Além de estudioso sou um entusiasta da aplicação de medidas sustentáveis em eventos. Estou aqui me perguntando como uma série histórica de resultados negativos com a geração de resíduos foi quebrada assim de forma tão fantástica. E faço isso porque desejo que isso se propague como medida de transformação Brasil afora!

 

Para se ter uma ideia, os números de 2020 se equiparam aos resultados obtidos em 2016. Só que naquela época o público do carnaval era menos da metade do atual. A comparação que fazemos é referente à geração de resíduos per capita. Nos dois anos citados o número ficou abaixo de 200 gramas por folião, mas o carnaval de 2020 ainda ganha por 10 gramas!

 

Como é possível que 2 mil toneladas de resíduos desapareçam de um ano para outro? O público do evento não mudou, pois a quantidade de turistas não alcança nem 5% do público total. Em 2016 conseguimos um excelente resultado com a sensibilização no pré-evento e durante as festividades. Mas na ocasião as nossas ações contribuíram mais para frear o avanço do que para reduzir a geração. E tudo foi mostrado e valorizado tanto pela mídia quanto pela própria prefeitura.

 

Atribuir a redução na geração de resíduos ao aumento de garis e contêineres é duvidar da inteligência de quem acompanha o assunto. Que eu saiba, colocar mais recipientes e mais pessoas para limpar, não reduz o volume. Somente o tempo de limpeza diminui. Retira-se a sujeira de forma mais rápida. Apenas isso. Um evento limpo depende diretamente do comportamento do seu público e da comunicação que se faz antes, durante e depois a sua realização.

 

Folia Responsável? Folião Consciente? Não sei se é hora de comemorar, mas já podemos valorizar. Ainda que algumas perguntas estejam sem resposta, houve atitude de aplicar ações de responsabilidade e propagar o discurso da sustentabilidade. Todo caminho tem um começo e nós estamos participando dele. Seja de forma ativa, como ocorreu em 2016, ou de forma passiva (criticando, cobrando e analisando). Nossa busca constante é de pregar e conquistar eventos mais Responsáveis!

 

Quer saber mais sobre o tema? Formulamos um GUIA gratuito! Quer receber o seu? Basta clicar AQUI, preencher o formulário com seu nome e endereço de e-mail e aguardar. Enviaremos para o contato divulgado o MANUAL DE COMO REALIZAR UM EVENTO RESPONSÁVEL. Conhece alguém que curte o tema? Compartilhe o artigo e peça-o para ler! Até breve!

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