Folia nota 1000, sustentabilidade nota ZERO!!!

March 18, 2019

 

Ano passado foram dois textos explicando o quanto os eventos podem ser destrutivos. Poderiam ter sido dez e os argumentos não iriam faltar. Seguindo a linha das repetições, mais uma vez Belo Horizonte dá um show no quesito folia, mas o comportamento ambiental do folião conquistou nota zero. Os resultados divulgados pela prefeitura no dia 12/03/2019 apontam crescimento de 13% no número de pessoas nas ruas.

 

Isso justifica a taxa média de ocupação de pouco mais de 66% na hotelaria durante os cinco dias do feriado de carnaval. Justifica também as boas notas recebidas pelo evento segundo opiniões de moradores e turistas em avaliação ao que vivenciaram. Inclui-se aí a programação, a mobilidade, a segurança e a limpeza dos espaços.

 

É neste último ponto que preciso mais uma vez fazer uma observação: espaço limpo não é sinal de mudança de comportamento. O que houve foi um trabalho impecável da Superintendência de Limpeza Urbana com seu time de mais de 1500 garis e varredores. Trabalharam muito antes, durante e após cada evento para deixar a cidade com cara de limpa.

 

No entanto, o crescimento do lixo gerado durante o período do carnaval foi de 85% em relação ao ano anterior. Não há como compreender a desproporção entre o número de foliões e a geração de resíduos. O segundo número é quase cinco vezes maior do que o primeiro. Em resumo, o público pode aumentar, mas a taxa de crescimento na geração de resíduos deveria, no mínimo, acompanhar o tamanho do evento.

 

O alerta vem sendo dado por mim, mas não parece ter soado negativamente nos ouvidos de quem pode ajudar. Tá na cara que o grande vilão é o folião. Afinal, o lixo não cai no chão sozinho. E este vilão também não caiu na real. Pular, zuar, beber, se divertir é natural. O que não se pode compreender é a falta de educação e responsabilidade para com o ambiente público.

 

Quem paga a conta pela geração das mais de 2.700 toneladas de lixo? Os cidadãos de BH! Sim, todos os que residem na cidade e pagam em dia seus impostos! Já falei sobre isso, mas como você não ouviu, vou repetir: para escoar o volume de lixo gerado durante o período de carnaval foram necessárias mais de 300 viagens com o caminhão compactador! Sim, aquele caminhão que passa na sua rua para pegar o lixo que você gera em casa!

 

Como o lixo de BH vai para um aterro distante 30 km do centro da cidade, cada viagem para retirar o lixo consome em média 60 km (ida e volta). Multiplique o número de viagens pela quilometragem e chegaremos ao montante de mais de 18.000km rodados somente para escoar lixo! É lógico que isso tem custo! E sabe o que mais você, cidadão de BH, está pagando e vai pagar?

 

Cada quilo de lixo que entra no aterro tem um custo; cada grama de lixo que chega no aterro diminui sua vida útil; quando não houver mais espaço para aterrar lixo, quem você acha que vai pagar a conta por um novo aterro? Só para constar, o aterro de BH fica em outra cidade, pois não há espaço para implantar um dentro dos limites do município! Parabéns! Você está pagando para exportar lixo quando poderia estar gerando receita reciclando, por exemplo! Não está nesta conta o custo com a varrição e a limpeza dos espaços públicos. Ou você acha que o lixo jogado no chão pula sozinho para o caminhão?

 

E estes problemas têm solução? É claro que sim! Também já falei sobre isso! Tenho uma experiência mega positiva com o próprio carnaval de BH em 2016! Consegui somente com sensibilização durante o carnaval, frear o aumento na geração de lixo! E por que não teve continuidade? Pergunte ao poder público. Só ele pode explicar esta péssima tradição de começar tudo do zero a cada troca de gestão.

 

Mas não sou rancoroso. A qualquer tempo estou disponível para falar das possibilidades de solução. Se a prefeitura quiser, mostro como fazer para reduzir o volume de lixo, compostar e reciclar o que for possível. E ela, precisa mostrar o caminho, pegar na mão do povo e ensinar como deve ser o comportamento. Depois de instruir, pode também instituir punições e cobrar o retorno de suas ações. Linha dura? Não. Só penso que a mudança não pode demorar.

 

Os blocos de rua, peças fundamentais do sucesso desta festa popular, podem ser os replicadores. Sim, por meio dos microfones podem auxiliar no processo de mudança de comportamento e de vigiar as atitudes. Não é questão de ser careta e frear a folia. Vai me dizer que não se pode extravasar com responsabilidade? Não quero acabar com a festa, pelo contrário. Quero que ela se torne ainda melhor!

 

Pense comigo: um evento mais limpo gera uma sensação mais agradável para quem participa; as opiniões boas vão ser replicadas via redes sociais; uma imagem positiva atrairá o olhar de mais pessoas; assim o evento tende a ser cada vez mais sucesso.

 

Não há dúvida. O ciclo virtuoso é o único caminho para a humanidade se salvar e para a manutenção das coisas que gostamos. Se você gosta do carnaval, seja respeitoso com as ruas e cobre dos outros foliões a mesma postura. Que 2020 traga notícias melhores quanto ao lixo do carnaval de BH e do restante do país!

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