• Fábio Pessoa

Eventos Sustentáveis X Eventos Responsáveis

Vários são os eventos divulgados levando consigo a denominação sustentável. Parte das pessoas que usam a nomenclatura assim está bem intencionada, procurando levar a mensagem de necessidade de respeito ao meio ambiente. Outra parte pega carona de forma oportunista, nem sempre enganando, mas às vezes usando de desonestidade intelectual para omitir alguns pontos importantes.


Explicando: o conceito de Evento Sustentável prega o equilíbrio perfeito entre a geração de receitas, o entretenimento e o respeito socioambiental. Basta relembrar o tripé da Sustentabilidade em seu conceito amplo e geral. Assim não pode haver meio termo. Ou você promove o equilíbrio ou não tem um Evento Sustentável. Então podemos concluir que não existem projetos genuinamente executados no que tange o conceito?


Sim e não. Explicando novamente: quando há interesse na aplicação de gestão ambiental num determinado processo, faz-se necessário delimitar o escopo. Ou seja, é preciso apresentar a abrangência das ações para que possam ser medidas e controladas. Melhor ainda: define-se pela gestão total ou parcial dos impactos ambientais.


Quando se trata de um evento, inúmeras são as variáveis para delimitação do tamanho da intervenção. Imagine a Copa do Mundo de futebol, por exemplo. Para ser exato, a mensuração dos impactos ambientais e das medidas mitigadoras, devem ser mensuradas a partir do processo de candidatura da sede. Sim, pois uma delegação é criada e viaja para fazer campanha e representar o país candidato.


Na realização deste megaevento temos ainda a enorme dificuldade de mensurar o impacto ambiental inerente ao deslocamento da massa de torcedores e profissionais envolvidos. Ao afirmar que um evento é sustentável você precisa delimitar o tamanho da intervenção, agir aplicando a gestão ambiental em sua totalidade e apresentar os registros comprovando o que foi feito.


É neste momento que agem os aproveitadores. Valendo-se de ações criativas iludem participantes e até mesmo a imprensa. Distribuir mudas de árvore, por exemplo, não passa de uma jogada publicitária se não houver justificativa e motivação pertinentes. Quantas destas mudas serão efetivamente plantadas? Aonde serão plantadas? Serão cuidadas ao longo de seu desenvolvimento?


Se neste caso o plantio de mudas foi sugerido como forma de neutralizar parte ou integralidade das emissões atmosféricas do evento, a distribuição não é um método eficiente. Isto ocorre porque a compensação exige que 100% das mudas vinguem. E para que mudas se tornem adultas precisam de plantio em local adequado, da forma adequada e de monitoramento periódico.


Incluir ações de promoção às causas ambientais é uma coisa. Realizar a gestão ambiental total de um evento da pré-produção até o seu término, é outra coisa. A primeira faz parte de uma estratégia de marketing que não tem por objetivo fazer algo factual para melhorar a qualidade de vida no planeta. Mas tende a usar a causa ambiental para gerar mídia e engajamento de curto prazo. É a famosa “firula” ou “balela ambiental”.


A gestão ambiental em sua essência tem por objetivo primeiro a melhoria da qualidade de vida do planeta. Como consequência divulga as ações empreendidas para o alcance dos resultados. E isso faz com que os envolvidos ganhem visibilidade e credibilidade de forma espontânea e duradoura. Acreditamos e pregamos os Eventos Responsáveis. Desta forma, não distorcemos conceitos e conseguimos entregar soluções inquestionáveis tecnicamente.


O conceito de Evento Sustentável é uma referência, um benchmarking a ser almejado, mas nunca verdadeiramente a ser alcançado. Assim, fica mais fácil inclusive, ganhar adeptos entre aqueles que nunca sonharam incluir a sustentabilidade em seus projetos de eventos. Não se pode alcançar o ápice sem um processo gradual de amadurecimento e mudança. É assim com as pessoas, com as instituições e não pode ser diferente com os eventos.


Não se pode classificar um evento que pouco fez pelo planeta como um evento sustentável. Mas também não se pode condená-lo por isso. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e fazer uma pequena coisa da forma certa é melhor do que fazer algo grande da forma errada. Foi isso que aprendemos até agora em nossa caminhada.


Um de nossos objetivos enquanto estudiosos e especialistas do assunto, é a disseminação de informação adequada. Não temos autoridade para cobrar que empresas concordem com nossa visão conceitual e também com a forma com que aplicamos nossas soluções ambientais. Mas podemos alertar as pessoas para que consigam observar com mais cuidado quando se depararem com uma denominada ação ambiental.


É por isso que criamos e publicamos o Guia Prático: como realizar Eventos Responsáveis. A cartilha apresenta um roteiro objetivo e informações sobre as possíveis soluções ambientais aplicáveis ao mercado de eventos. Além de estarmos sempre à disposição para dialogar em nossos canais de comunicação, continuaremos trabalhando nos bastidores.


Todos os detalhes de como aplicamos nosso método de trabalho estarão disponíveis num livro. O conteúdo está cuidadosamente sendo preparado e amadurecido. A publicação deve ficar pronta até dezembro de 2020 e seu lançamento será divulgado em nossas mídias. Fiquem ligados! Até lá, continue nos acompanhando no facebook, instagram e youtube!

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