Como a escassez de recursos pode afetar o seu negócio?

June 23, 2018

 

Por meio de minha experiência como docente e consultor ouvi muitos empresários se confundirem sobre o assunto sustentabilidade. A maioria vê custos, burocracia e tem aversão às mudanças que uma gestão ambiental pode imprimir em seu negócio. Acreditam ainda que é perda de tempo e que investir neste quesito é valorizar o supérfluo.

 

Ao me deparar com posicionamentos tão míopes tenho sentimentos contraditórios: primeiramente vem a decepção, pois o pouco engajamento ambiental demonstra fragilidade gerencial; ao mesmo tempo vem a empolgação, pois percebo que o mercado ainda tem muito a crescer com as empresas que cedo ou tarde vão descobrir a necessidade de mudança.

 

Mas para que mudar? Obviamente porque as empresas não são organismos isolados do restante do mundo e da sociedade: necessitam de matéria prima (água, energia elétrica, madeira, petróleo) para produzir bens (produtos) e para manter processos; necessitam de colaboradores engajados e de pessoas que comprem suas “marcas” ou que, pelo menos, gostem delas. Mas muitos parecem ainda ignorar o óbvio.

 

A exploração e o uso inadequado de matéria prima vão provocar sua escassez ou extinção. Sem a fonte base para continuar a produção, uma nova matéria prima será requerida e com isso, novos processos, novo posicionamento de mercado e uma infinidade de outras mudanças estruturais. Colaboradores insatisfeitos por más condições de trabalho ou por processos inadequados perdem motivação e produtividade. E por fim, como vem ressaltando diariamente o Instituto Akatu (ONG em defesa do consumo consciente), os indivíduos estão cada vez mais sensíveis e exigentes sobre a responsabilidade socioambiental.

 

Não é porque vivo e prego a sustentabilidade, mas não consigo conceber uma empresa que não a possui em seus valores e pilares gerenciais. Trata-se de prezar pela qualidade oriunda do equilíbrio: escolher a matéria prima menos impactante; desenvolver processos inteligentes e eficientes; respeitar colaboradores e consumidores. Postura que seguida já diferencia o negócio frente a concorrentes diretos e indiretos. Alguns chamam isso de valor agregado. Já ouviu falar?

 

Empresas que dependem do uso contínuo de água, por exemplo, já perceberam que investir na sustentabilidade é vital, pois a pressão externa da sociedade já existe e vai aumentar. Quando focamos nossa atenção para a realidade brasileira, deveríamos ficar ainda mais atentos quando o assunto é a água. Digo isso porque a matriz energética do país depende diretamente da disponibilidade deste recurso. A falta pode gerar o racionamento e o consequente aumento do preço do insumo.

 

Para uma empresa que usa água e eletricidade em larga escala para manter sua operação, qualquer oscilação (disponibilidade/preço) significa um “efeito cascata” nos custos. Como garantir no médio e curto prazos a disponibilidade da água? Quanto vai custar este insumo daqui a dez anos? Excluir a sustentabilidade do Planejamento Estratégico da empresa é dirigi-la como um piloto kamikaze.

 

Empreender significa projetar o sucesso futuro caminhando no tempo presente de forma controlada. Qualquer estrategista sabe que reagir é mais dispendioso e mais doloroso do que prevenir. Portanto, evitar ou retardar uma mudança imediata em prol da gestão ambiental só faz aumentar prejuízos.

 

Cada negócio pode a seu tempo e dentro de suas possibilidades operacionais e financeiras, dar o primeiro passo. Comece cortando o uso de copos descartáveis do setor administrativo, por exemplo. Presenteie os funcionários com uma caneca personalizada e peça que todos contribuam. Aos poucos vá introduzindo outras mudanças e incentivando novos hábitos. Você vai se surpreender com o clima e com os resultados de sua equipe. Não estou “inventando a roda”. Isto já é uma realidade. Abra a janela e olhe em seu redor. Lembre-se: quem chega primeiro bebe a água limpa!

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