• Fábio Pessoa

Secamos o Brasil!



Entramos o mês de outubro com a maior cobrança tarifária nas contas de energia elétrica do país. Mais uma vez o elo mais fraco precisa suportar o peso da irresponsabilidade. Sim, a falta de políticas públicas para melhorar a matriz energética brasileira está nos custando caro. A todos nós. O dinheiro arrecadado não gera modernização e serve somente para tapar buracos.


Desde a recente descoberta do pré-sal, na época do governo Lula, apostaram e comemoraram a vitória antes dela ocorrer. Petróleo em camadas extremamente profundas é energia potencial. Ou seja, só se sabe seu valor quando extraído o combustível. Várias das usinas espalhadas pelo Brasil não atuam em sua capacidade plena por falta de água ou por falta de planejamento para distribuição adequada da energia gerada.


Até quando depender dos rios e da queima de combustíveis fósseis para levar energia aos brasileiros? O que realmente intriga é que não faltam referências ao redor do mundo, mas a “representação do povo” parece ter vistas somente para o próprio umbigo. No nordeste brasileiro temos exemplos de aproveitamento das marés e dos ventos. Do sul e sudeste temos experiências com o uso da energia solar ainda em pequena escala, mas crescendo e mostrando-se viável.


Não há necessidade de apostar em mais alternativas. Carecemos mesmo é de interesse em pesquisar e desenvolver destas, formas de estruturar matrizes que substituam as termoelétricas e minimizem o uso das hidrelétricas. Precisamos de política pública eficiente para o caso energético e de abastecimento hídrico. No formato atual pressionamos duplamente o mesmo recurso esgotando-o com mais facilidade.


O governo precisa assumir sua missão e responsabilidade de fomentar caminhos para seu país crescer com sustentabilidade. Taxar pelo uso não educa ninguém. A educação para o consumo de água é fraca. Durante anos usamos o recurso na crença de que sua abundância nos supriria eternamente. O tempo e o contexto nos provou o contrário. E quando a crise for intermitente devido à escassez, o que faremos?


O Brasil está secando em volume de água e de esperança. A população ao mesmo tempo vítima e infratora, está cada vez mais penalizada e perdida. Não bastassem as fragilidades socioeconômicas, padecemos também nos assuntos estruturais. Só nos resta mesmo a fé na chuva, nas pessoas e em tempos melhores.

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