Educação que deseduca

March 20, 2017

Noutra oportunidade já ressaltei o quanto a educação é importante para que o nosso comportamento ambiental se torne equilibrado. A rotina deveria ser em prol da construção de seres preservacionistas, cooperativos e colaborativos. No entanto, os exemplos negativos continuam se repetindo em todos os lugares.

 

O fumante joga guimbas pela janela de casa, pela janela do carro ou diretamente no chão. Continuamos atirando lixo em todos os lugares como se treinássemos para uma olimpíada. Substituímos nossos eletrônicos numa velocidade assustadora, mas os descartamos sem nenhuma responsabilidade.

Assim que foram popularizadas as lâmpadas frias e agora as lâmpadas de led, passamos a compra-las para substituir as lâmpadas de filamento. Sem dúvida a eficiência das novas tecnologias reduz o impacto no ambiente reduzindo o consumo de energia, mas o comportamento mudou? Quando as lâmpadas estragam, o que você faz com ela?

 

Estamos mesmo apagando as luzes quando não estamos precisando? Estamos desligando a TV quando não há ninguém assistindo? Estamos reduzindo o tempo do banho? Estamos usando de forma eficiente os aparelhos eletrônicos de nossas casas? Nosso maior desafio é a mudança comportamental. E mudar a forma de agir das pessoas é bastante complicado quando as referências são contrárias às ações de que realmente precisamos.

 

Veja o caso da água. Neste momento a cidade de Brasília se encontra com níveis baixíssimos em seus reservatórios de água. A população enfrenta racionamento e vivencia uma ameaça constante de escassez. Imediatamente perceberemos nas redes sociais e a grande mídia começar a cobrar atitude por parte do poder público. A responsabilidade é somente deste ator? Será este o caminho: cobrar do poder público?

 

No estado de Minas Gerais, o atual governo e a companhia de Saneamento local (COPASA) veiculam na TV uma nova campanha institucional. No vídeo ilustram as obras de modernização e ampliação da rede de abastecimento de água potável, captação e tratamento de esgoto. Na mensagem final a fatídica frase: TEMOS ÁGUA PARA MAIS 15 ANOS.

 

De forma direta quem está vendo a TV interpretará da seguinte forma: “O governo disse que temos água para mais 15 anos, então eu posso usar porque não vai faltar tão cedo!” Isto é o que mostra o comportamento de parcela dos consumidores, pois continuo vendo calçadas serem lavadas com esguicho de mangueiras e outras formas de desperdício.

 

Repetindo: toda educação é ambiental e deve ser tratada como tal. Uma propaganda institucional pode retratar os avanços e as vitórias alcançadas, mas precisa ser estratégica nos efeitos educativos que pode gerar. Basta que os longos períodos de estiagem e o consumo desregrado esvaziem os reservatórios para que as mensagens desesperadas de economia retornem. Não teria sido melhor mudar a mensagem e continuar incentivando a mudança de comportamento?

 

Quando faltar água, não adianta cobrar mais caro por ela!

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