OS EVENTOS E SEUS IMPACTOS

July 26, 2016

 

O setor de eventos é uma “indústria” que movimenta cifras milionárias por meio dos seus mais variados tipos e tamanhos. O efeito multiplicador na economia é imediato: aquecimento nos meios de hospedagem e alimentação, mobilização de toda a cadeia de transporte, comércio e contratação direta e indireta de mão de obra. São ainda importantes e poderosas ferramentas de comunicação, entretenimento e negócios no mundo contemporâneo.

 

É sabido, no entanto, que os consumos de água, energia e materiais utilizados nas realizações, resultam sempre em geração de resíduos, depreciação de espaços e emissão de gases com efeito estufa (CO2). Os pontos negativos deveriam ser anulados pelos positivos, mas na prática isso não ocorre.

Segundo o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal, várias são as razões para se investir em modelos de eventos sustentáveis: redução de custos, aumento do bem-estar dos participantes e colaboradores, melhora na qualidade de vida das localidades, aumento da atitude de imagem, reputação e notoriedade das empresas promotoras (resposta imediata às expectativas da sociedade).

 

As Olimpíadas de Londres, em 2012, são referência para a normatização e difusão de eventos ambientalmente responsáveis. Desde a construção dos espaços que sediariam os jogos, passando pela realização da programação e após o término do evento, tudo primou pelo equilíbrio dos processos: quase a totalidade dos resíduos de demolição e construção (98,5%) foi reaproveitada nas novas estruturas para o evento; áreas verdes da cidade foram recuperadas; cerca de 10 mil desempregados foram capacitados e reinseridos; 15 milhões de libras foram destinados ao desenvolvimento de atividades esportivas na cidade até o ano de 2015; entre outras coisas. Este evento de fato gerou um legado aos cidadãos londrinos.

 

O retorno socioambiental pode e deve ser tão grande quanto as projeções de receita inerentes aos projetos. Alguns eventos se afirmam “verdes” quando de fato apresentam somente ações superficiais em prol do meio ambiente. Outros se maquilam de sustentáveis aproveitando a “onda verde” para alcançar exclusivamente suas metas financeiras.

 

Minas Gerais possui decreto próprio (45815/2011 alterado pelo 46469/2014) incentivando os eventos sustentáveis, mas poucos foram os projetos a conseguir o selo “Evento Sustentável”, desde sua criação. Diante de todo o volume de acontecimentos no calendário de eventos do estado, menos de 20 certificações concedidas em 4 anos é muito pouco. Estes números mostram que para mudar posturas dentro da sociedade de consumo só mesmo com muito apoio/subsídio.

 

Em julho de 2013, uma parceria entre a Subsecretaria de Relações Institucionais (MG) e a Companhia Mineira de Promoções (PROMINAS), instituiu descontos para a locação dos espaços geridos por esta última, desde que os locatários tenham a certificação do governo estadual para seus eventos. O apoio à disseminação e consolidação de uma concepção responsável dentro do segmento ainda é pequeno. Mas diante das necessidades atuais e do evidente benefício quando adotado o método adequado de gestão ambiental, vislumbra-se luz no fim do túnel. Será que nossos legisladores vão melhorar o conteúdo do citado decreto, aumentando o retorno para a sociedade e incentivando os empreendedores deste mercado?

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