• Fábio Pessoa

EVENTOS E SUSTENTABILIDADE

Em todo Brasil cresce a captação e a realização dos mais variados tipos e tamanhos de eventos. Segundo dados do Ministério do Turismo (2013), as empresas organizadoras de eventos cresceram 23% em 2012 e os eventos internacionais passaram de 28 para 360 num período de dez anos. O Brasil ocupa hoje a sétima posição do ranking de países que mais sediam eventos internacionais. Este crescimento também se manifesta nacionalmente, uma vez que se profissionalizam os calendários de eventos de diversas cidades e se promovem melhorias e ampliações nas estruturas de apoio aos projetos atuais.


No entanto, o notado crescimento apresenta simultaneamente certo descontrole. Durante a Jornada Mundial da Juventude, evento realizado na cidade do Rio de Janeiro, foram geradas 17 toneladas de lixo após uma missa na praia de Copacabana. A última festa de réveillon neste mesmo local gerou 300 toneladas de resíduos. Em Belo Horizonte, durante o carnaval de rua de 2013, foram recolhidas cerca de 16 toneladas de resíduos somente no bloco que se concentrou na praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Tereza.


No ano de 2012, cerca de 10 mil pessoas participaram de um evento pré-carnaval na praça da Liberdade, região central de BH. O mesmo resultou em sujeira, canteiros destruídos, luminárias arrancadas e até postes danificados. Ainda que o evento tenha ocorrido com a chancela da Prefeitura e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG), devido ao tombamento da praça, multas e penalidades aos produtores não apagaram os impactos negativos gerados. O momento de entretenimento, socialização ou promoção da cultura atribuídos aos eventos não neutralizam os danos causados à sociedade.


Não há como justificar a ausência de soluções técnicas, uma vez que o próprio estado de Minas Gerais dispõe de certificação própria para eventos sustentáveis. O Decreto nº 45815 de 2011 instituiu o Selo Evento Sustentável para eventos que incluírem a responsabilidade social, cultural e ambiental em seus projetos de concepção. Dentre os principais critérios do método podem-se encontrar a utilização de energias alternativas (limpas), utilização de transporte de massa, seleção de fornecedores locais, redução de resíduos, substituição e reaproveitamento de materiais, neutralização de carbono, educação ambiental, inclusão social, acessibilidade, inclusão cultural, entre outras medidas.


Há também uma normativa internacional, a ISO 20121 de 2012, que ganhou uma versão brasileira e que trata especificamente da certificação de eventos sustentáveis. Os critérios são mais abrangentes que o selo estadual citado, mas o objetivo é o mesmo: realizar eventos que fomentem a estrutura socioeconômica, mas que gerem o mínimo de impacto ambiental e mantenham a qualidade de vida em todos os âmbitos.


Por fim torna-se importante ressaltar que o emprego de tecnologia de ponta e o incremento dos investimentos em infraestrutura não podem ser considerados ações inovadoras para o segmento. O setor de eventos se tornará inovador somente quando conseguir realizar projetos inclusivos, que prezem pela preservação dos patrimônios e do meio. Ao mesmo tempo precisam incluir e qualificar pessoas, aumentando o capital humano (legado). O valor agregado de uma mudança de postura cobre os possíveis custos, tidos como entraves ao desenvolvimento de processos equilibrados e responsáveis.

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